Presidente Venceslau | Quarta-Feira, 27 De Maio De 2026
Editorial

As recordações de Pedro Segura

As recordações de Pedro Segura

(*) Paulo Francis. Jr

A cada dois ou três meses costumo enviar correspondência ao escritor Raymundo Farias de Oliveira, em São Paulo, com quem mantenho uma amizade fraternal. Aqui, em Presidente Venceslau, Raymundo tem outros grandes e velhos amigos que são inesquecíveis! Entre eles, destaco hoje o Seo Pedro Segura Garcia(foto). Em carta recente, encaminhada ao poeta na capital, no dia 20 de maio deste ano, informei que o havia encontrado, bem pertinho da minha residência. Na missiva, escrevi: “Raymundinho... Você não sabe quem eu acabei de ver agora, depois das 10 h da manhã! Acabei de encontrar com um ‘fã de carteirinha’ seu. Ele... O sempre atento aos artigos e crônicas que você escreve, Pedro Segura, sobrinho do ‘Zé Segura’ (Sapataria e Selaria São José), já falecido. O Pedro estava carpindo um dos quintais dele, no Residencial das Paineiras. Ele conversou bastante comigo! Disse que está com muitas, muitas saudades de você! Falou que adora os seus livros.” O Pedro é um entusiasta do passado. E emotivo!!! 

Na resposta que chegou, Raymundo Farias expressou grande contentamento ao saber que o Pedro Segura estava bem. Na humildade destas linhas, exponho a minha grande alegria de ser hoje o elo, a ligação entre ambos. Até o meio deste ano, conhecia o Seo Pedro Segura “apenas de vista.” Atualmente, como sempre está zelando pelo seu terreno aqui, no Residencial das Paineiras, tenho conversado mais com ele. Há poucos dias, voltei a encontra-lo. Tenho uma admiração especial pelo Raymundo Farias e, agora, pelo Seo Pedro Segura. Ambos têm personalidades alegres, extrovertidas e saudosistas. Os dois têm sempre algo a contar. Sempre com satisfação! 

As reminiscências nos fazem imaginar fatos e lugares que já não existem mais ou, se ainda existem, estão completamente mudados. Por exemplo, eu e o Pedro entramos no “Túnel do Tempo” da querida Presidente Venceslau, de cinco ou seis décadas. Pedro dizia coisas que me deixavam encantado, a imaginar como seriam aqueles tempos. Por exemplo, falou-me que “o anexo da escola IEE, Antônio Marinho de Carvalho Filho, era lá no Colégio Escoteco nos idos anos da década de 60.” Que dizer: o local, a ampliação desta escola era em outro lugar, bem distante. Isso é curioso demais! Veja: uma parte dos alunos estudavam nos altos da Av. Princesa Isabel e, outra turma, na Rua Castro Alves, próximo à Av. Tiradentes.

Agora vem outra revelação fantástica: adivinha quem foi a professora do Seo Pedro Segura quando ainda era uma criança no IEE (lá no Colégio Escoteco)? Quem?! Era nada mais, nada menos que a Dona Anna Maria! Foi a “Professora Anna Maria”, saudosa esposa do amigo e poeta Raymundo Farias. Pedro explicou que o Raymundo e a Ana tinham residência na Rua Carlos Gomes, em frente à sede do Venceslau Clube. Raymundo foi fundador e dono do famoso Escritório Tiradentes, localizado na rua do mesmo nome, ainda em funcionamento. Num lance espetacular de suas lembranças, Pedro relatou que o número do telefone do Escritório Tiradentes era 129. Para conseguir falar naquela época, tinha-se que retirar o telefone do gancho em qualquer lugar e esperar que a telefonista fizesse ou completasse a chamada. Não é incrível isso?!

Pedro Segura e eu conversamos na Rua Tácito Leite, que é o pai de Tácito Cortes de Carvalho e Silva, o “Dr. Tacinho.” Aproveitando, Pedro disse que o Tácito Leite era o médico do Raymundo e sua família! O consultório dele era na Rua São Paulo esquina com a Av. Tiradentes, no antigo prédio do Oras, Obras Reunidas de Assistência Social. Esclareceu que do outro lado da rua era a Casa Maia - depois, Autopeças Figueirinha! - onde é o “Frango Tudo”. Lá, se comercializavam secos, molhados e ferragens! Se vendiam correntes de ferro de várias bitolas por metro, que eram cortadas com uma espécie de “formão”, na sarjeta da rua em frente a loja. Vendia-se também tombador de terras que era puxado por cavalos para gradear, arar e riscar o solo para o plantio.  

Para o Seo Pedro Segura, um dos livros mais bonitos que já leu na vida chama-se “Espelho do Tempo”, escrito pelo poeta Raymundo Farias. Nele, Raymundinho relembra o funcionamento da estação de trens na Esplanada, com suas chegadas e românticas partidas, os horários da antiga Estrada de Ferro Sorocabana e as brincadeiras de infância. É lindo, lindo!!! É uma beleza...

(*) Paulo Francis. Jr é da AVL e escreve aos sábados no jornal Integração Regional. 

Integração Regional

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Jornal integrante de veículo de comunicação com sede em Presidente Venceslau (SP).

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