(*) Paulo Francis. Jr
Depois de um antigo, duro, desconfortável Jeep 1951, o pai deste cronista comprou um automóvel macio, confortável e que desenvolvia “alta velocidade,” talvez uns 60 km/h ou mais. Rsss... Tinha um ronco esquisito – meio choroso! -, e a mecânica do motor não era complicada. Quando surgia algum problema, quase sempre era numa peça de nome “platinado.” Meu pai sempre dizia: “O platinado não está funcionando.” Estou falando do carro – ou da “condução” como queiram! – Gordini Dauphine, de cor cinza. Era o máximo, tinha até rádio AM. Rsss...
Nas férias de 1977, partimos nele para a “distante” cidade de Caiuá. Naquele tempo era longe! Rsss... Fomos “tomar banho” no Rio Caiuazinho, na altura da ponte da ferrovia, bem próxima daquela cidade. Naquela viagem, foi a primeira vez que observei a imponente figueira que hoje retrato. Pelo menos, que me dei conta da sua existência! O primeiro lembrete que guardo sobre ela. Ao formular estas linhas, recordei-me de Ataufo Alves. Em uma das melodias mais famosas de todos os tempos no Brasil, Ataufo cantava: “Eu daria tudo que eu tivesse pra voltar aos dias de criança. Eu não sei pra que que a gente cresce, se não sai da gente essa lembrança...”
Veja: a Av. Carlos Platzeck ainda não existia. O lugar era simplesmente uma via de acesso ao aeroporto, ainda de terra. Portanto, local de muito areão em tempos de seca e de muito barro em tempos de chuvas. Nas minhas reminiscências, naquele dia nós ouvíamos o jogo entre o Corintinha de Presidente Venceslau e o Corinthians de Santos, que era disputado na “Baixada”; a Copa Corinthians estava em andamento, um campeonato promovido com apoio da Rede Globo. Ouvíamos o jogo no conforto, pelo rádio do Gordini. Venceslau venceu. O placar não me lembro mais. E ganhou depois, também, o título desta competição. O evento foi feito, pois o time do Corinthians profissional da capital, não ganhava nada. Rsss... Naquela época, ficou 23 anos de jejum. Era um tabu, uma polêmica, uma gozação como é hoje o tal do “mundial” do Palmeiras...
Naquele dia, passamos pela figueira. Daquele tempo até agora, sempre me causa algum espanto ou impacto quando passo por lá. Lembranças de bons tempos que já não voltam mais. A minha mãe, que estava naquela ocasião conosco, também já não vive mais. Sinto saudades dela! Porém, a figueira chamativa continua de pé, imponente. Difícil alguém passar por aquele lugar e ficar indiferente a sua beleza, ao seu tamanho e ao seu verde. No domingo anterior estive debaixo daquela frondosa árvore. Passei alguns minutos apreciando tudo que via. Li, o Poema da Velha Figueira(foto), como se o escritor Raymundo Farias, digo, a própria árvore, estivesse declamando cada palavra aos meus ouvidos. Forte demais!!! Assim que cheguei a casa, após uma caminhada de mais de duas horas, peguei o livro do amigo Inocêncio Erbella, Nossa Terra Nossa Gente, e procurei por aquelas palavras. Gravei um depoimento e, depois, com um fundo musical “adornado” pelos cantos de pássaros, distribui pela internet. A resposta foi muito boa.
Na última quarta-feira, quando encontrei aqui no bairro onde moro, o amigo Pedro Segura, foi algo indescritível. Reproduzi para ele, do telefone celular, o que havia feito. O Pedro ficou tão emocionado que não apenas chorou de alegria. Literalmente, Pedro pulava e se exaltava de tanta saudade no coração! Descobri que a árvore é capa de um livro do saudoso jornalista Arcênio Pedro Correia, que chegou a Venceslau recém-nascido, em 1939. A árvore teria nascido nos anos “20” no meio de um matagal. Como não havia iluminação na área, teria ganho a fama de “assombrada”. Deveria ser mesmo estranho passar por ali à noite! “De feia e assombrosa,” sem dúvida, a nossa figueira, nos dias de hoje, é a árvore mais linda de Presidente Venceslau.
Fico a imaginar se, num final de ano qualquer desta década, possa ainda encontrá-la adornada por pisca-piscas coloridos e brilhantes de Natal, afinal completa 100 anos. A figueira merece a honra! Daquele ponto do município, os fogos de artifício nesta data, nos trazem uma alegria indizível. Uma marcante e maravilhosa vista que um dia poderá até se tornar “a tradição da figueira.” Creio que isso possa se concretizar mais adiante...
(*) Paulo Francis. Jr escreve aos sábados no Jornal Integração Regional.
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