Escrito por Rafaela Piai
Psicóloga CRP 06/133655
Não há processo biológico, psíquico ou antropológico que não seja mediado por algum tipo de representação. A sociedade em si é produto de uma semiótica sutil, ordenadora de comportamentos e normas que promovem um modo específico à identificação do sujeito como ser social.
A capacidade do ser humano em se adaptar ao meio está diretamente ligada à mediação exercida por alguém que já esteja adaptado a ele, ou seja, que já passou pelas mediações necessárias que o levaram a se apropriar da cultura.
A maneira de comer, de se expressar e realizar os modos necessários à existência humana são, do ponto de vista semiótico, organizados através do olhar da criança, que cresce enxergando o comportamento do adulto.
Portanto, o exercício da mediação é iniciado por uma figura que assuma os cuidados da criança e a partir de um processo de identificação, a subjetividade em si é alimentada pela ideia falada através do discurso do outro: usualmente a família ou a professora.
Com base no presente levantamento, convido o leitor a pensar sobre a realização do processo educativo nos mais diversos lares e nas variadas esferas do ensino infantil.
Nessa perspectiva, a semiótica da autoridade adulta determina a construção da sociedade e consequentemente, o modelo de dominação do estado, cujo papel é limitar a existência do sujeito a sua contribuição à manutenção do status quo.
Embora a relação identificatória deva ser prezada, essas instituições não repousam em amor incondicional em todos os instantes da vida e uma vez que a representação exercida pelo cuidador deixa de ser passível de investimento positivo, acrescenta-se uma experiência desintegrativa na estruturação do psiquismo da criança e, futuramente, na consciência social.
Dúvidas e sugestões de temas: rafaelacpiai@gmail.com.
1 Comentário(s)
Muito bom texto excelente psicóloga Rafaela