Às vésperas do centenário de Presidente Venceslau, algumas lembranças merecem ser revisitadas. Entre meus arquivos, encontrei o boletim encadernado dos IV Jogos Regionais da Zona Sudoeste, realizados de 29 de junho a 7 de julho de 1984. Ao folhear aquelas páginas, não vi apenas registros esportivos: havia ali uma cidade inteira em movimento.
Naqueles dias, Venceslau viveu a maior festa esportiva de sua história, e tive a alegria de participar dela. O então prefeito, médico Tácito Cortes de Carvalho e Silva, definiu o evento como a “maior festa do esporte amador até hoje realizada em nossa terra”. Passadas mais de quatro décadas, a frase continua verdadeira.
Foram delegações de 46 cidades, cerca de 4.500 atletas, dirigentes, técnicos, árbitros e torcedores ocupando ginásios, escolas, clubes, ruas e alojamentos. As competições aconteceram em diversos espaços, como o Centro Municipal de Esportes e o Ginásio Municipal “José Francisco Abegão”, Parque São Jorge, Associação Esportiva Mariana, Coroados Tênis Clube, a AABB, a Escola Técnica do Comércio – Escoteco, o Venceslau Clube e as quadras das escolas “Antônio Marinho de Carvalho Filho”, “Álvaro Coelho” e “Alfredo Marcondes Cabral”. As modalidades incluíam futebol, basquetebol, voleibol, futebol de salão, atletismo, natação, tênis, tênis de mesa, judô, xadrez, ginástica olímpica e ciclismo.
Na época, os Jogos Regionais também serviam como etapa preparatória e classificatória para os Jogos Abertos do Interior, principal competição esportiva do Estado de São Paulo. Por aqui passaram nomes de gigantes. Entre eles, se a memória não me trai, Magic Paula e Hortência Marcari, reveladas pelos Jogos Regionais e já então em trajetória de destaque internacional. Para uma cidade do interior, vê-las de perto era testemunhar a história diante dos próprios olhos.
Também participei pela imprensa. Como gerente e jornalista responsável do Jornal Integração, organizei um boletim diário para registrar os principais acontecimentos do evento. A produção era feita à noite pela equipe, em linotipo, com linhas de chumbo e impressão em uma grande máquina de cilindros. Cada edição era fruto de pressa, calor, barulho, tinta e entusiasmo.
Na Comissão de Divulgação e Imprensa, trabalhei ao lado de Zensho Yamamoto, Antonio Carlos Moré, o Toninho Moré, e dos saudosos Arcênio Pedro Correia e Percy Rubens de Mello. Também integrei a equipe de transmissão da Rádio Presidente Venceslau AM, ao lado de Élcio Júnior, Clóvis Moré, então gerente da emissora e já falecido, Toninho Moré, Walter de Camargo, Carlos Cota, Osmar Pacito Júnior, Luizinho Travolta, Homero Ferreira, Paulo Francis e Orlando César, o “Lance”.
A comissão organizadora central, presidida por Pedro Soriano Estrella, teve a participação também de José Hamilton do Amaral, Mineo Matsuura, Marcos Antonio João e Edison Brasil Gonini, pessoas valorosas, as quatro primeiras já falecidas, que ajudaram a construir um acontecimento ainda merecedor de reverência. Ao lado deles, dezenas de venceslauenses atuaram em comissões de transporte, cultura, atendimento médico, comunicação, segurança, alojamento e tantas outras áreas essenciais.
No resultado final por pontos, Sorocaba foi campeã, com 193 pontos; Presidente Prudente ficou em segundo lugar, com 183; e Presidente Venceslau alcançou a terceira colocação, com 88. No quadro geral de medalhas, nossa cidade terminou em sexto lugar, com três ouros, oito pratas e cinco bronzes, totalizando 16 conquistas. Presidente Prudente liderou esse quadro, com 93 medalhas, seguida por Sorocaba, com 90, e Botucatu, com 64.
Mas os números não explicam tudo. O que permanece é a sensação de que Presidente Venceslau viveu um momento de plenitude coletiva. O esporte foi convivência, orgulho, trabalho e pertencimento. Foi a cidade se vendo maior do que imaginava ser. Ao completar 100 anos, Venceslau precisa olhar para aquela experiência não apenas com saudade, mas como inspiração. Os Jogos de 1984 mostraram que o esporte amador é capaz de mobilizar uma comunidade, formar talentos e projetar uma cidade para além de seus limites.
Neste dia, que começam os Jogos Regionais da atual 7ª Região em Tupã (de 14 a 23 de julho), que essa lembrança sirva de convocação. Presidente Venceslau merece voltar a valorizar o esporte amador com a mesma energia e seriedade de quando, por alguns dias inesquecíveis, foi a capital regional da juventude, da competição e da esperança. No livro que está sendo preparado pela AVL, traremos uma versão mais completa sobre o evento memorável aqui realizado em 1984.
JOSÉ ROBERTO DANTAS OLIVA
O autor é Doutorando em Educação pela FCT-UNESP de Presidente Prudente, Mestre em Direito das Relações Sociais pela PUC-SP, Advogado Trabalhista, Juiz Titular de Vara do Trabalho aposentado, Professor, Radialista, Jornalista e titular da cadeira nº 18 da Associação Venceslauense de Letras – AVL
Fonte: Blog do Toninho
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