Já tem quase seis meses que a aposentada Josefa Elza de Menezes, de 72 anos, foi obrigada a sair de sua casa, no Parque São Jorge, em Presidente Venceslau (SP), por causa de uma cratera no chão da cozinha. Um buraco de 2 metros de diâmetro e 2,5 metros de profundidade interditou o imóvel, que segue sem habitantes. Nesta semana, a Prefeitura iniciou obras para alteração de galeria que passa embaixo da residência e que, segundo o município, poderia "comprometer futuramente" algumas moradias.
O chão que "parecia estar oco" revelou um grande problema e fez a dona da casa lembrar o acidente que vitimou Marta Aparecida Moraes dos Santos no dia 16 de março de 2013. Ela morreu soterrada depois de um desabamento causado por problemas em uma tubulação.

Cratera no chão da cozinha da idosa tinha 2,5 metros de profundidade, segundo a Prefeitura — Foto: Lindalva Coelho
Como as casas ficam na mesma via, na Avenida do Estado, e bem próximas, a aposentada se sente insegura. Até o momento, a obra feita em sua residência consiste na colocação de terra para fechar a cratera.

Cratera no chão da cozinha da idosa tinha 2,5 metros de profundidade, segundo a Prefeitura — Foto: Lindalva Coelho
Ela destacou que ainda mora junto com seu filho no imóvel cedido pela Prefeitura. Ele é morador vizinho à casa da mãe. "Querem arrumar e querem que eu volte para minha casa. Mas, eu não me sinto segura", comentou.
Apesar de gostar de seu imóvel, ela disse preferir se mudar para outro local.
"É duro deixar a casa da gente. Mas, primeiro de tudo, vem a vida. Minha casa é boa, mas está perigosa. Eu prefiro ser indenizada, que eles me dessem uma outra casa, e ir morar em outro lugar. Tanto eu quanto meu filho porque essa galeria passa embaixo da casa dele também. Se está dando problema na minha casa, pode dar problema na casa dele também", frisou.

Idosa foi removida do imóvel e a cratera foi fechada com terra — Foto: Carolina Coelho Negrini/Cedida
Alteração da galeria
Na época em que a cratera foi descoberta, a Prefeitura de Presidente Venceslau informou que o corpo técnico do município faria uma análise do imóvel e nos imóveis vizinhos para identificar as causas do surgimento do buraco.
O g1 procurou novamente o Poder Executivo e perguntou se houve a conclusão do que causou a cratera. Por meio de nota, o município destacou que os estudos foram feitos junto à Defesa Civil.
"Foram realizados estudos que, no entanto, não são conclusivos. Já que na região algumas das casas foram construídas com aterros não executados de acordo com as normas e padrões de construção recomendados. A parte da casa que apresentou a cratera foi construída de modo irregular. E o aterro não foi executado de acordo com as normas, não fazendo a compactação do solo adequada", explicou a Prefeitura de Presidente Venceslau.

Prefeitura de Presidente Venceslau (SP) iniciou as obras para alteração da galeria no Parque Parque São Jorge — Foto: Alex Marini/Prefeitura de Presidente Venceslau
A respeito da galeria, o município informou que ela foi vistoriada e "está intacta". "A galeria poderia comprometer futuramente algumas residências. No momento, foi vistoriada e está intacta, mas por precaução e segurança não somente da dona Josefa, mas de todos os demais moradores, estamos executando a obra afim de isolar a galeria que tanto preocupa os moradores e Prefeitura", pontuou.
A obra citada, para alteração da galeria que passa pela casa da idosa, teve início no começo da semana. O prazo informado é de dez dias. A reportagem também questionou o município sobre uma possível indenização à aposentada. "O fato de executarmos a galeria já exclui riscos de se repetir a tragédia ocorrida no passado, e o receio da moradora não faz jus ao pagamento de uma indenização", finalizou a Prefeitura de Presidente Venceslau.

Prefeitura de Presidente Venceslau (SP) iniciou as obras para alteração da galeria no Parque Parque São Jorge — Foto: Alex Marini/Prefeitura de Presidente Venceslau
Chuva e soterramento na vizinhança
Marta Aparecida Moraes dos Santos morreu no dia 16 de março de 2013. No dia do soterramento, choveu muito. Marta estava com o marido no quarto quando o chão cedeu. O piso, os móveis e a mulher foram engolidos por uma cratera e Marta morreu soterrada.
Cinco casas ao redor foram desocupadas, pois corriam o risco de desabar.
Em novembro do mesmo ano, a Polícia Civil concluiu o inquérito sobre o acidente e afirmou que a morte foi causada por negligência da Prefeitura, que desconhecia a existência de uma galeria pluvial embaixo da casa da vítima.

Desmoronamento ocorreu no dia 16 de março de 2013 e matou uma mulher — Foto: Reprodução/TV Fronteira
Na ocasião, Josefa não teve o imóvel interditado, mas ela conta que já se sentia insegura, pois morava ao lado do imóvel vizinho ao da Marta.
"Graças a Deus, eu vi que o chão estava oco e que foi na cozinha. Eu moro sozinha também. Quando eu comprei o terreno, ninguém me avisou de galeria embaixo. Eu tenho muito medo. Medo por mim, medo pelo meu filho que mora ao lado, pelos meus vizinhos", lamentou Josefa na época em que descobriu a cratera na cozinha.
(Com informações do g1)
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