O humano não se faz só, mas sim, sempre, a partir do “Outro”. Recebe dos pais o nome, a língua e as tradições que marcam sua identidade. A cultura exige que o sujeito se aproprie de uma linguagem social que é mediada pela família e essa mediação promove uma transmissão de valores éticos e morais que são repassados através de registros deixados por gerações anteriores, com as devidas cargas históricas que vêm dar seguimento à história da família.
A maneira como o sujeito é concebido e recebe significado, depende de inúmeros fatores da história e dos significantes que ficaram marcados na configuração familiar. Portanto, a qualidade da saúde mental do sujeito brota dentro de casa. O vínculo entre a criança e a família costuma ser o mais íntimo, carinhoso e sagrado de todos. Quando a atenção do lar é voltada para o desenvolvimento de uma vida emocionalmente saudável, a criança tende a viver com muito mais criatividade e saúde psíquica.
O sujeito não sobrevive e tampouco se desenvolve sem o engajamento do outro. As figuras de autoridade exercem uma espécie de coreografia cósmica de repertórios necessários ao desenvolvimento do ser humano e quanto mais essa dança é harmônica, melhor pra criança que, por sua vez, repete todos os comportamentos do adulto.
A fonte de aprendizado da criança se dá através do reflexo da rotina de casa, da escola e das relações no dia a dia. Ela vai expor suas impressões nas brincadeiras, enquanto os responsáveis deverão observar, intervir e direcionar. Para que a criança reaja positivamente aos ensinamentos sociais é importante que os pais estejam devidamente orientados, assim será possível transmitir lições coerentes aos pequenos, de acordo com valores baseados em uma pedagogia que prioriza sobretudo, o afeto e a compreensão.
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*Texto da psicóloga Rafaela Piai / CRPSP 06/133655.
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