Presidente Venceslau | Sábado, 13 De Junho De 2026
Região

Gestante de 8 meses que teve morte de bebê constatada no Pronto Socorro busca explicações sobre causa do óbito da filha

Gestante de 8 meses que teve morte de bebê constatada no Pronto Socorro busca explicações sobre causa do óbito da filha
Bruna Pinheiro passou a sentir dores um mês antes do óbito. Agora o drama é saber a causa da morte da filha (Fotos: Jornal Cenário MS/Bataguassu)

Grávida 8 meses, a moradora do distrito de Nova Porto XV, Bruna Pinheiro de 22 anos, perdeu a bebê que nasceria no início de fevereiro. O que deveria ser felicidade, se transformou em tragédia. Após complicações na gestação, infelizmente, a bebê, Shophia Helena, teve sua morte constatada no dia 25 de janeiro de 2022,  após ser atendida em Nova Porto XV e no Pronto Socorro da Santa Casa de Bataguassu. Agora, se não bastasse a dor do luto a mãe e o pai da bebê, Wendel Farias de 24 anos, ainda vivem o drama de não saber a real causa do óbito, isso porque no atestado da criança foi utilizado o termo 'causa indeterminada'. 

Segundo o esposo da jovem, Bruna que fez o pré-natal de forma correta, passou a sentir dores desde dezembro, no entanto sempre que procurava atendimento, os médicos do município diziam que era normal, mas ele reclama que não era pedido exames. Ele conta que no dia 13 de janeiro, foi feito um ultrassom, e até então, mesmo com as dores e a mãe reclamando da barriga endurecendo tudo corria bem, segundo os médicos, que teriam dito também que poderia haver algum risco apenas se houvesse sangramento. Não houve sangramento, e no dia 25 de janeiro (terça-feira), as dores aumentaram e a mãe procurou atendimento na unidade de saúde de Nova Porto XV. Lá ela foi atendida uma hora depois, e após analise da médica, Bruna foi encaminhada a Santa Casa de Bataguassu, onde após duas horas foi constatado o óbito pela médica ginecologista de plantão. A criança foi retirada, e segundo Wendel, a médica disse que a bebê estava com o cordão umbilical enrolado, mas não soube precisar a causa do óbito, porque a bebê não tinha marcas no pescoço. 

Para os pais da bebê, Wendel e Bruna, as dores sentida poderia ser sinal que a Shophia Helena poderia estar querendo nascer de forma prematura. 

"Acreditamos que pode ter havido erro ou falta de conhecimento, porque para eles tudo é normal. Quando uma gestante ou idoso chega reclamando de algo mais de 1 vez deve ser feito exames para evitar problemas futuro. Então no nosso ponto de vista, talvez a bebe estivesse tentado sair, pois a Bruna sentia dores na barriga, na parte íntima e o abdômen sempre estava duro, mais os médicos não acreditavam nisso e falavam que era normal, e que era treinamento da barriga, sendo assim se houvesse um diagnóstico preciso, nada disso talvez teria acontecido" lamentou Wendel que ainda ressalta " Não vou culpar uma pessoa especifica, mais sim o geral pela falta de preparado, porque pra eles só é emergência se tiver sangramento. Eles poderiam ter percebido que os sintomas que a minha esposa estava sentindo poderia ser perigoso para a bebê".
 
Morte por causa indeterminada
 
Após a perda da bebê, o sofrimento do casal ainda aumentou. Isso porque Wendel e Bruna não conseguiram ainda registrar a filha, devido ao atestado de óbito dela não constar a causa da morte. 
 
"No atestado de óbito, foi colocado causa indeterminada e o cartório não aceitou aquele atestado e pediu para que a médica responsável, colocasse a causa da morte, caso contrário eu teria que abrir uma Ordem Judicial pedindo autorização para Juiz. Retornei na Santa Casa e a médica falou que não iria colocar a causa da morte, por que não tinha certeza se foi cordão umbilical. Fui ao cartório e expliquei que a doutora não iria mudar o atestado de óbito e então pediram para ir até a Defensoria Pública, então fui, e mesmo explicando minha situação, me disseram que só atendem 10 pessoas por dia e que para tentar pegar a senha eu teria que ir por volta das 4h da madrugada. Sou da Nova Porto XV e trabalho. É difícil ficar saindo da empresa para tentar pegar uma vaga. Isso é muito estressante, já não basta a dor de perder uma filha ainda temos que passar por isso. O que a gente queria era apenas a causa da morte da nossa filha no atestado", conta Wendel

Muito revoltado Wendel continua "É revoltante isso, meu ponto de vista, já que o hospital (Pronto Socorro Municipal) não sabe a causa da morte deveria mandar para IML (Instituto Médico Legal) para saber a causa e ai sim fazer o atestado de óbito, para nós registrar a criança sem problemas e esclarecer as dúvidas. Porque se a causa da morte foi porque houve atraso em fazer o parto, isso é negligência e vamos buscar nossos direitos". 

Wendel conversou com a reportagem do Jornal Cenário MS por mensagem e relatou a dificuldade em tocar no assunto.

"Nunca pensei em carregar minha filha em um caixão, até o dia que recebi a ligação da minha esposa dizendo, 'amor nossa filha se foi, Deus levou ela'. O mundo para, a dor bate, a tristeza chega e o ódio domina. Amem seus filhos  como se não houvesse o amanhã. Que a falta de amor ao próximo, Deus venha preencher a partir de hoje", finaliza.

Outro lado

O Jornal Cenário MS entrou em contato com o Pronto Socorro Municipal nesta segunda-feira (31) por telefone e foi informado para que a reportagem procurasse a Secretaria de Saúde. Tentamos contato com a saúde mas as ligações não foram atendidas. 

A reportagem então entrou em contato com a assessoria de comunicação do município, para saber os motivos pelo qual o atestado de óbito não consta a causa da morte e porque o corpo da bebê não foi enviado ao IML e também sobre quais procedimentos foram adotados diante das reclamações de dores sofridas pela gestante. A assessoria informou que iria buscar informações sobre o caso, mas até a publicação desta reportagem não tivemos retorno. 

O espaço segue aberto para possiveis manifestações.

Com informações do Jornal Cenário MS/Bataguassu

Integração Regional

integracaoregionalnews.com.br

Jornal integrante de veículo de comunicação com sede em Presidente Venceslau (SP).

0 Comentário(s)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário