Presidente Venceslau | 09 de Agosto de 2022
Estado

Estado fecha 345 Casas da Agricultura e promove inchaço de cargos comissionados

Estado fecha 345 Casas da Agricultura e promove inchaço de cargos comissionados
Associação Paulista de Extensão Rural diz que medida prejudica a agricultura familiar e ocorreu na "calada da noite e sem diálogo com a categoria" (Foto: Reprodução)

O Governo do Estado de São Paulo publicou decreto determinando o fim de 345 Casas da Agricultura, responsáveis pelo atendimento direto aos agricultores paulistas. Apesar de não citar a palavra fechamento, o documento, incluído no Diário Oficial de quinta-feira (30), estabelece a reestruturação da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA) e prevê, em vez de atendimento ao agricultor, que estas Casas da Agricultura "serão consideradas como unidades administrativas, não lhes correspondendo, porém, qualquer nível hierárquico".

Segundo a Associação Paulista de Extensão Rural (APAER), o decreto vai reduzir ainda mais a capacidade de atendimento para cerca de 300 mil agricultores que produzem alimentos no Estado. 

“Apesar da importância da extensão rural para apoiar a produção de alimentos e a conservação dos patrimônios naturais, a gestão da Secretaria da Agricultura em São Paulo tem caminhado na direção contrária das necessidades", critica Antônio Marchiori, presidente da APAER. "O quadro de servidores é cada vez menor, reduzido à menos da metade, e não há um compromisso da SAA em repor estes profissionais, ao contrário, o Estado tem jogado esta responsabilidade para as Prefeituras".

Um levantamento feito pela APAER mostra que o Estado tem cerca de 390 mil cadastros na fila para regularização ambiental e apenas 120 analistas para fazer o atendimento. A entidade afirma que o quadro ficou ainda pior desde 2020, porque a "Agricultura de São Paulo, que tem o segundo pior orçamento do Brasil, usou a pandemia como desculpa para limitar ainda mais os serviços oferecidos aos produtores rurais".

Além do fechamento das Casas da Agricultura, a APAER argumenta que "o decreto cria cargos em comissão, promovendo um inchaço no topo da hierarquia com apadrinhamento político e enxugando na ponta, onde estão os extensionistas, responsáveis pela assistência efetiva aos produtores".

A reestruturação da Agricultura e outras medidas, como aumento de impostos para o setor, vêm sendo criticadas por entidades do setor desde 2020. Produtores rurais chegaram a fazer um 'tratoraço' em diferentes regiões do Estado. 

Para conter a crise, o então secretário, Gustavo Junqueira, que lançou a ideia de fechar as Casas da Agricultura, foi substituído por Itamar Borges, que adiou a decisão para o fim de 2021. 

"Na prática, estamos assistindo, na calada da noite e sem diálogo com a categoria, o estrangulamento do serviço de extensão rural em São Paulo, o que representa riscos para a produção de alimentos e para o meio ambiente, o que já vem acontecendo em diversos municípios, por falta de um programa de governo efetivo para melhorar o manejo dos recursos naturais – a crise hídrica e as recentes nuvens de poeira são um exemplo disso”, enfatiza Marchiori.

Com Assessoria de Imprensa

Integração Regional

integracaoregionalnews.com.br

Jornal integrante de veículo de comunicação com sede em Presidente Venceslau (SP).

0 Comentário(s)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário

Este website utiliza cookies próprios e de terceiros a fim de personalizar o conteúdo, melhorar a experiência do usuário, fornecer funções de mídias sociais e analisar o tráfego. Para continuar navegando você deve concordar com nossa Política de Privacidade.

Sim, eu aceito. Não, eu não aceito.