Uma notícia triste para mim: no dia 31 de outubro de 2022, cerrou portas e encerrou suas atividades o Escritório Tiradentes, de Antonio Conehero Neto, casa que formou tantos profissionais em Presidente Venceslau.
Não consegui saber quando exatamente nasceu o Tiradentes, mas, por volta de 1954, pertencia a Raimundo Farias de Oliveira. Quatro anos depois, em 1958, quando contava apenas quinze anos de idade, Antonio Conehero Neto, o Neto, como era conhecido, ingressou no quadro de empregados do escritório.
Neto entrou como office boy e aos poucos foi sendo promovido e reconhecido como um trabalhador exemplar e competente.
Quando tinha vinte e um anos de idade, em 1964, Neto se casou com Shirley Dias Conehero e, por volta de 1966, tornou-se proprietário do Escritório Tiradentes.
Depois de alguns meses, contratou seu irmão, José Conehero Filho, que até então trabalhava na farmácia de Yassuo, para fazer parte do quadro de empregados e auxiliá-lo.
Neto trabalhou no escritório dos 15 aos 79 anos. Foram 64 anos de dedicação. Depois da família, o escritório representava tudo em sua vida.
Entrei no escritório em 16 de março de 1970, uma segunda-feira, também como office boy. Foi minha primeira escola. Minha primeira experiência no mundo do trabalho. Lá aprendi e me apaixonei por serviços tributários. Aos 14 anos de idade, sentia orgulho de fazer parte do quadro de empregados do Tiradentes. Nostalgia boa!
Lembro bem ser normal, à época, colegas de trabalho e até o empregador, solicitarem aos novatos que fossem buscar a máquina de achar diferença, o esquadro redondo, soldar lâmpadas e outras criativas brincadeiras das quais não me recordo agora. Não havia intenção de humilhar. Eram brincadeiras saudáveis. Eu caí numa delas. Depois, todos ríamos juntos.
O pouco que sou, devo em grande parte à essa verdadeira escola, que me acolheu de forma carinhosa, pois foi lá que desenvolvi as habilidades de técnico em contabilidade e exerci a profissão, sempre pautado por princípios técnicos, éticos e legais.
Jamais esquecerei dos ensinamentos ministrados por Neto a todos os que com ele trabalhavam. Às vezes um simples olhar era suficiente para que entendêssemos o que fazer. Era um autêntico mestre.
Até os dias atuais ainda sonho com aquele ambiente gostoso em que éramos felizes e fazíamos parte de uma exemplar família.
Obrigado também ao Celso Claudinê Dias, pessoa competente que teve muita paciência comigo, me ensinando de forma brilhante o caminho da contabilidade. Foi ele quem também me ensinou a encerrar balanço.
Obrigado de coração ao Pedro Mauri Ferrari, que era encarregado do departamento de pessoal. Ele gentilmente me proporcionou os primeiros treinamentos de capacitação para o DP. Lembro-me de ajudar Pedro aos sábados, domingos e também à noite, na tentativa de conseguir conhecimentos maiores nessa área.
Saí de lá no dia 20 de novembro de 1976, com destino à Comercial de Automóveis Pajé Ltda.
Tantos amigos passaram por ali e depois seguiram seus respectivos destinos. Uns se profissionalizaram na área contabilidade; outros em áreas diversas, havendo aqueles que já não se encontram no nosso meio.
Posso citar alguns: José Conehero Filho (falecido), Celso Claudinê Dias, Ramon Novaes Carrasco, Pedro Mauri Ferrari, Santo Antonio Farias, Arthuzina Coimbra Correa (falecida), José Antonio Dias, Osny Carlos Screpanti, Antonio Carlos Castilho, Lourdes Yuriko Takaki, Antonio Carlos Escudeiro (falecido), Kazue Okura, Sidney Repele Muchon (falecido), Roseli Cruz Prieto Fernandes, José Antonio Voltarelli e Luiz Cláudio da Silva, dentre outros.
No dia 05 de agosto de 2022, faleceu Antonio Conhero Neto, aos 79 anos. Em razão disso, da perda de seu mentor, em 31 de outubro de 2022 fechou suas portas para sempre o Escritório Tiradentes. Deixa um legado, uma linda história que jamais será esquecida por aqueles que tiveram o privigélio de fazer parte do seu quadro de empregados.
Agradeço também de coração à sócia do escritório, Ana Lúcia Castelan Pereira, que me recebeu com fidalguia e atenção ímpares, fornecendo-me informações que tornaram possível escrever essas simples linhas.
Aqui encerro esse singelo relato sobre o Escritório Tiradentes, situado na Avenida Tiradentes, 70, cujo número de telefone quando lá entrei era 121.



Escrito por JOSÉ MÁRIO BONFIM, Ex-empregado
Admitido em 16 de março 1970
Saída em 20 de novembro de 1976
0 Comentário(s)
Seja o primeiro a comentar!