Abro a crônica de hoje sendo muito bem claro: a palavra “incesto” vem do latim. Deriva de “incestus”, que quer dizer “impuro e sujo.” Esse tipo de relação existe nas cidades da região? Existe em Presidente Venceslau? Será que em Marabá Paulista, Caiuá, Piquerobi, Santo Anastácio, Epitácio, Prudente... Existem casos de incestos? O que você deduz ou conclui quando vê a humanidade vivendo de maneira tão depravada? Responda com sinceridade... Sim ou não?!
Em algumas sociedades, como as do antigo Egito e outras, as combinações de relacionamentos como irmãos-irmãs, pai-filha, mãe-filho, entre primos, sobrinhos-tias, sobrinhas-tios eram praticadas nas famílias reais como forma de perpetuar a linhagem nobre. No entanto, as relações sexuais com um parente de primeiro grau (como um pai ou irmão) são quase universalmente proibidas. Essas informações da Wikipédia vêm com os esclarecimentos: “Sexo entre pai-filha e padrasto-enteada é a forma mais comumente relatada de incesto adulto-criança, com a maioria dos restantes envolvendo uma mãe ou madrasta. O incesto entre irmãos na infância é considerado prática generalizada, mas raramente relatado. Casamentos e relações sexuais entre primos são estigmatizados como incesto em algumas culturas, mas tolerados em grande parte do mundo.
Sabe-se que no Brasil, o incesto (se ambos os envolvidos são maiores de idade e não estão sob ameaça ou violência), é permitido pela lei, ainda que seja um tabu moral e religioso. Não é crime, ainda. Ainda! Sobre isso, tramita pela Câmara Federal o Projeto de Lei 603/21, do deputado Sanderson (PSL-RS), que criminalizará a prática por aqui. Está prevista a reclusão de um a cinco anos para quem mantiver relação sexual com pai ou mãe, filho ou filha, irmão ou irmã e ainda avô ou avó, seja parente consanguíneo ou por afinidade. A Agência Câmara de Notícias acrescenta: “A proposição tem como base sugestão da ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, que expôs a necessidade de uma legislação penal de combate ao incesto, por se tratar de prática que contraria os costumes.” Leitor: com esse projeto em andamento, será que os casos de incestos são poucos ou muitos no Brasil? O que você acha?!
Já falei sobre o assunto no jornal Integração há alguns anos. Nem sempre o incesto é denunciado já que acontece no seio das famílias, dentro dos lares. Como se trata de um tema extremamente delicado e, por certo, de um erro praticado em níveis não determinados na sociedade, sempre recorro à pesquisa para fundamentar posições. Por exemplo, de acordo com o jurista Manoel Valente Figueiredo Neto, “avalia-se que apenas 10 a 15% dos casos de incesto são revelados, sendo que 20% das mulheres e de 5 a 10% dos homens foram vítimas de abuso sexual na infância ou na adolescência. Na expressiva maioria, 90% dos delitos são cometidos por homens que as vítimas amavam e respeitavam: 69,6% dos agressores é o pai biológico; 29,8% o padrasto e 0,6% o pai adotivo.” Tudo isso, escondido, empurrado para debaixo do tapete...
Isso acontece no coração da família. Leitor: isso pode estar ocorrendo debaixo de seus olhos! Pode-se dizer que é uma espécie de “crime continuado”. Pode durar anos até alguém resolva contar. Ou não! Ou nunca dizer nada!!! São tapetes sujos... Como serpente, desliza em silêncio dentro dos cômodos, das casas das pessoas. Geralmente, tudo começa sorrateiramente numa relação de confiança. É uma questão perigosa que ataca a maior célula da sociedade, como um câncer.
Desde os tempos bíblicos, isso causa infortúnios. O Livro de Levítico, na época de Moisés, já proibia relações incestuosas. Dois casos são explicitamente relatados nas Escrituras: o primeiro diz sobre Ló e suas filhas; elas embebedam o pai e com ele se deitam para ficarem grávidas e terem filhos, no Livro de Gênesis. O segundo sobre Amnon e Tamar, meio-irmãos por parte de pai, pois ambos eram filhos do rei David, relatado em Samuel 2. O espaço aqui é diminuto, porém, vendo o que aconteceu ao Rei da David e sua família, só há uma recompensa para quem o pratica: maldição, até com derramamento de sangue. O incesto age de forma sutil. Pode estar próximo e você não vê...
(*) Paulo Francis. Jr é da AVL e escreve aos sábados no jornal Integração.
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