A diretoria da Santa Casa de Presidente Venceslau publicou, nesta terça-feira (8), vídeo para divulgar informações sobre a situação do combate ao coronavírus no hospital. Em quinze minutos, a administração da unidade passou dados e recados à população, entre eles um alerta a respeito da falta de leitos para atendimento dos pacientes.
Susierléia Bonifácio, administradora hospitalar da Santa Casa, se mostrou preocupada com o índice de ocupação de leitos da unidade. Na terça-feira (8), 19 pacientes eram atendidos nos leitos de Terapia Intensiva (UTI) da unidade, enquanto que 14 pacientes recebiam os cuidados na enfermaria. Pacientes oriundos de Presidente Prudente (8), Mirante do Paranapanema (1), Presidente Epitácio (1), Anhumas (1), Marabá Paulista (1), Pirapozinho (1), Santo Anastácio (1), Presidente Bernardes (1), Bataguassu - MS (3) e Presidente Venceslau (15) eram atendidos na unidade, totalizando 33 pessoas internadas.
O médico Pérsio Pacheco, diretor técnico do hospital, afirmou que todos os leitos disponíveis estão ocupados com pacientes e chamou a atenção para um detalhe: as pessoas mais jovens estão sendo acometidas pelo vírus. "A incidência da covid está aumentando porque está faltando um pouco de conscientização da população. A gente precisa seguir as normas que todo mundo conhece", lembrou, antes de dizer que tanto a Associação de Medicina Intensiva do Brasil (AMIB) como a Sociedade Brasileira de Infectologia preconizam o distanciamento social e a higienização das mãos como formas de prevenção contra o contágio por coronavírus. "[...] O que a gente vê é o contrário disso. A gente vê festas, reuniões, confraternizações e isso só prejudica a gente", lamentou.
Para representar o Pronto-Socorro, a coordenadora Thatiana Killian fez coro aos colegas de Santa Casa e solicitou conscientização da população durante a pandemia. Contou que a equipe chegou a uma situação "crítica", com funcionários cansados e que ainda sofrem com insultos da população. "Mediante a situação que estamos vivendo, muitas vezes somos xingados porque a população não entende porque demora, não consegue entender a emergência. Uma intubação covid-19 demora em torno de três horas, então vai demorar mesmo os outros atendimentos, infelizmente só temos um médico para atender toda a população", revelou.
A profissional orientou sobre o uso do Pronto-Socorro nos momentos corretos. Disse que a população deve saber diferenciar os atendimentos, quando usar os ESFs ou o Pronto-Socorro. Explicou que o Pronto-Socorro deve ser utilizado em caso de urgência e emergência, em casos que colocam a vida do paciente em risco. "É claro que no final de semana, quando não tem Posto, não tem o Centro de Testagem, ninguém vai ficar sem atendimento, vamos atender a população, mas peço que tenham paciência. Não adianta gritar, xingar, funcionário não tem culpa. O fluxo aumentou absurdamente", pontuou.
Outro funcionário a participar do vídeo, o médico clínico Marcel Zulin reforçou que todos os leitos de UTI e Enfermaria estão lotados. Ele também explicou que a equipe entende a angústia sentida por familiares que ficam sem notícias sobre o ente próximo que está internado no hospital, mas informou que as ligações diárias são sempre realizadas. Em outro momento, Zulin corroborou com a fala de Pérsio ao frisar que a Santa Casa oferece um tratamento de excelência aos pacientes que estão na unidade. "Os pacientes têm evoluído bem, porém chegam em estado grave ao Pronto-Socorro. Cada vez eles têm chegado com grau de gravidade muito maior e muito mais preocupante para nós, profissionais da saúde", disse.
Para manter o atendimento e fazer com que o serviço continue sendo prestado, a administradora hospitalar Susierléia Bonifácio pediu a ajuda da população tanto na questão financeira, quanto na responsabilidade como cidadão ao se preservar para não ser acometido pela covid-19. Revelou também que o hospital hoje possui gastos em torno de R$ 1,7 milhão para oferecer o atendimento ao município e região, ao passo que a unidade recebe cerca de R$ 1,3 milhão em repasses dos governos federal, estadual e municipal, sendo necessário fechar as contas em todos os meses considerando um déficit de R$ 400 mil. "Abrimos essa UTI, foi realmente uma grande vitória conseguir essa UTI bancada pelo Governo Estadual na sua parte, só que quando a gente propôs isso no plano de trabalho e assinou os convênios, inicialmente ficou separado para compra de medicamentos e insumos um valor de R$ 120 mil, a qual hoje esse valor já não dá. Esse mês, fechamos a UTI II com um valor de R$ 370 mil em gastos de medicamentos e insumos. Não tem condição do hospital ficar bancando esse déficit", alertou.
Bonifácio pediu consciência aos munícipes que questionam o trabalho efetuado pela Santa Casa. Ao lado dos funcionários, lembrou do sofrimento vivido diariamente nos momentos em que algum paciente acaba falecendo. "Nós estamos fazendo o melhor. Muitos funcionários estão cansados e se as pessoas acham que é fácil para o profissional que está aqui ver todos os dias uma pessoa indo a óbito, não é fácil, porque nós sofremos juntos com a família. Todos os dias nós estamos aqui vendo familiares sofrendo, vendo familiares chorando. Isso abala nossa cabeça, o nosso sistema. É médico sofrendo, enfermeira sofrendo. Nós não gostamos de ver ninguém indo a óbito", desabafou.
Em mais um pedido de consciência, Susi solicitou aos munícipes para que parem com as festas e aglomerações desnecessárias. "Se você vai para algum lugar, vá sozinho. Se você tem que ir ao médico, na farmácia, vá sozinho. Não precisa ficar levando todo mundo junto. Não tem necessidade de festinhas, não tem necessidade de fazer casamentos com grandes aglomerações, aniversários com grandes aglomerações. Não tem necessidade", continuou.
O vídeo é encerrado com o depoimento de Renato Ferrari, coordenador da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa. Ele afirmou que atualmente foi percebido um decréscimo da idade das pessoas que são acometidas pela covid-19, sendo que a maioria dos pacientes nas UTIs possuem idade entre 30 e 45 anos. "(Eles) evoluem com severa gravidade, com necessidade de ventilação mecânica, hemodiálise, muitas vezes tem várias complicações associadas à doença, isso faz com que o seu estado se agrave significativamente, ou seja, os pacientes necessitam de muitos dias de internação, muitos dias sedados, muitos dias intubados", explanou.
A grande dificuldade enfrentada pelo sistema de saúde da região de Presidente Venceslau é relacionada ao custo para manter o atendimento. As medicações para manter um paciente em coma induzido, segundo Ferrari, estão sofrendo aumentos de preço "estratosféricos". "A gente tem medicações hoje que inclusive tiveram um aumento de mais de 500% em seu preço de antes da pandemia. Além do que nós não conseguimos encontrar essas medicações, isso faz com que o Sistema de Saúde já fragilizado sofra ainda mais com essa situação que estamos passando", alertou.
Por fim, o coordenador informou que o sistema de saúde da região se encontra esgotado, com cerca de 100 leitos de UTI ocupados e na terça-feira (8), 30 pacientes aguardavam por um leito nas UTIs. "Todos nós precisamos nos cuidar, pois nosso sistema não comporta mais pacientes", finalizou.
(Da redação)
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