Com aviso ou sem aviso... - Integração Regional
Presidente Venceslau | Segunda-Feira, 12 De Janeiro De 2026
Editorial

Com aviso ou sem aviso...

Com aviso ou sem aviso...

(*) Paulo Francis. Jr

Um monge foi visitado pelo anjo da morte; tinha chegado sua hora. Mas ele argumentou com o anjo: “Tem que ser agora? Estou cuidando da horta da comunidade. Se eu for embora agora, o que os irmãos vão comer?” O anjo resolveu deixar a missão para outra hora… Dias depois, voltou e o monge estava cuidando das crianças da comunidade. De novo, houve uma negociação e o anjo adiou a morte para outro momento. Voltou, uma terceira vez um mês depois e encontrou o monge, tratando carinhosamente de um doente grave. Dessa vez, nem se falaram: o monge só fez um gesto, mostrando a situação… e o anjo foi embora. Anos se passaram, o monge continuou seus trabalhos, foi ficando velho fraco e desejou morrer. Um dia o anjo apareceu e ele se alegrou. Disse: “Que alívio! Pensei que estava zangado com meus pedidos de adiamento e não me levaria mais para a vida eterna junto de Deus.” O anjo sorriu e respondeu: “Eu só vou completar o final do caminho. Você já estava entrando na Vida Eterna quando servia seus irmãos.”

Esta parábola, de autoria desconhecida, é um resumo enfático sobre a morte. A despeito dela ser um adversário comum em qualquer lugar do planeta, não temos opções. Um dia ela nos apanhará. E de que maneira? Não temos a menor ideia! Na dúvida, andemos o nosso tempo por aqui reverenciando o nosso Criador e, suplicando dele, o perdão diário. É sabido, conforme a bíblia nos orienta, no céu não entra pecado. Exposto isso, tive um encontro ocasional – mas especial! -, na semana que passou, com uma “velha” amiga, que entrava naquele instante num supermercado. Estávamos afastados! Lembro-me de tê-la visto em 2019, caminhado pelas ruas de Presidente Venceslau, ao lado de sua mãe. Na conversa que tivemos, ela explicou que sua mãe havia falecido em 2021. Aí começou o ponto “x” desta inusitada conversa. Nevrálgico! Diálogo com uma dosagem de saudade e dor. Dor!!!

Quando lhe perguntei como estava disse-me, com o coração apertado: “Você sabia, minha mãe morreu há alguns meses?” E imediatamente, lhe dei o conforto de tardias condolências. Não sabia de nada. Mas, a conversa não parou aí. De cabeça baixa, já com lágrimas nos olhos, “esfolou” o coração: “Meu único filho faleceu há pouco mais de 30 dias!” Confesso que fiquei paralisado: amargurado. Naquele instante, lembrei de quando estudávamos juntos na adolescência. Nem sabia que havia se casado! A gente mora na mesma cidade, mas os caminhos nos fazem desviar de rotas. Os poucos encontros que tivemos, neste período, não passaram de rituais de cumprimentos rápidos. 

Compartilhou sua angústia! Comentou o que estava lhe incomodando. Eu percebi. O que lhe estava tirando o sossego: mais do que a morte, a ausência do querido filho. O vazio! A solidão. Os cômodos da casa na qual morava parecem que sofriam com ela! O diálogo estava sendo duro de ser concluído, mas o emocional descarrilhou, ficou evidente, quando ela disse qual a idade que o filho tinha. As lágrimas foram mais fortes do que ela podia controlar. Além do suportável! Ela desabou de vez.

Tive vontade, mas não tive coragem de lhe abraçar. Não sabia se poderia gerar algum constrangimento ainda maior. Ela afirmou, soluçando: “Meu filho morreu com 28 anos!” Aquela informação me serviu de estaca ao coração! Difícil pensar que algo assim não fosse algum acidente que poderia ter sofrido. Não! Não foi isso... Não estava doente! Simplesmente, foi dormir à noite. Ela o chamou pela manhã para trabalhar e não obteve resposta. Abriu o quarto e lá estava ele: dormindo como sempre; e desta vez... “Para sempre”. Um mal súbito lhe tirou a respiração durante o profundo descanso da noite. Ainda jovem! A única pista da morte ficou marcada, cravada; uma cor arroxeada pela região do abdômen! Um coração que parou antes da longevidade. Uma terrível pena!  

A morte é dolorosa demais. Quando chega com “regras quase invertidas,” duplica a dor! Pais e mães jamais deveriam enterrar os filhos. O mais aceitável é o inverso! No trem da vida, deixou a impressão que este filho saltou da vida antes da parada, da próxima estação. Sem aviso, o infausto acontecimento em nada difere da tão temida e propalada pena... De morte!!! Não há como questionar os motivos. Entendam que começamos a entrar na Vida Eterna quando servimos ao próximo, fazendo o bem. E tem que ser agora, hoje! Como diz um hino cristão: amanhã pode ser muito tarde...

(*) Paulo Francis. Jr é da AVL e escreve aos sábados no jornal Integração.    

Integração Regional

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Jornal integrante de veículo de comunicação com sede em Presidente Venceslau (SP).

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