O Hospital das Clínicas (HC) de Ribeirão Preto (SP) realiza neste sábado (6) a primeira cirurgia para separar as gêmeas siamesas Allana e Mariah, de Piquerobi (SP), que nasceram unidas pela cabeça. Elas são acompanhadas por uma equipe multidisciplinar da instituição desde 2021, quando ainda estavam na barriga da mãe.
De acordo com o Hospital das Clínicas, o procedimento foi minuciosamente planejado e preparado durante meses. A previsão é que a cirurgia comece por volta das 7h e dure cerca de oito horas.
Ao todo, 40 profissionais entre médicos, enfermeiros e equipes de apoio, dos departamentos de Neurocirurgia Pediátrica e Cirurgia Plástica, estão envolvidos.
Uma coletiva de imprensa está prevista para acontecer na segunda-feira (8), quando as equipes detalharão o primeiro procedimento e informarão os próximos passos do tratamento.
Primeiro caso
Este é o segundo caso de separação de gêmeas nascidas unidas pela cabeça acompanhado pelo HC de Ribeirão Preto.
Em 2018, após dois anos de acompanhamento e análise, os médicos Hélio Rubens Machado, chefe da Divisão de Neurocirurgia Pediátrica, e Jayme Farina, chefe da Divisão de Cirurgia Plástica, comandaram a equipe que atuou na separação bem-sucedida das gêmeas Maria Ysabelle e Maria Ysadora, que também nasceram unidas pelas cabeças.
As meninas, na época com 2 anos, encararam cinco procedimentos cirúrgicos inéditos no Brasil até serem definitivamente separadas em outubro de 2018. A família retornou ao Ceará, estado de origem dela, em março de 2019, cinco meses após a separação.
O caso clínico de Maria Ysabelle e Maria Ysadora foi acompanhado ainda pelo médico norte-americano James Goodrich, referência mundial em casos de alta complexidade envolvendo gêmeos siameses. Ele esteve no Brasil em duas ocasiões para participar das cirurgias. Goodrich morreu com Covid-19 em março de 2020.
As irmãs ainda são acompanhadas por médicos do HC, mas no Ceará estão sob os cuidados do médico neurologista Eduardo Jucá, responsável pela transferência delas até o interior de São Paulo.
A última vez que o g1 registrou a passagem de Maria Ysabelle e Maria Ysadora por Ribeirão Preto foi em fevereiro de 2020, quando a família esteve na cidade para batizá-las.
A celebração ocorreu no Santuário das Sete Capelas, no Morro de São Bento. A médica oncologista pediatra Maristella Francisco dos Reis, que acompanhou todo o processo de separação das crianças, é madrinha de batismo delas.
O batizado foi realizado no interior de SP porque os pais consideram que as filhas ganharam na cidade uma nova qualidade de vida.
(Com g1)
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