Presidente Venceslau | Segunda-Feira, 26 De Fevereiro De 2024
Editorial

As crianças do Brasil têm futuro?

As crianças do Brasil têm futuro?

(*) Paulo Francis. Jr

Em 12 de outubro de 1927, no Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, hoje um museu, o presidente Washington Luiz assinava uma lei que ficaria conhecida como Código de Menores. A data da sua assinatura havia sido escolhida pelo presidente Washington Luiz a dedo, para coincidir com os festejos do Dia da Criança, criado por decreto pouco antes por seu antecessor, Artur Bernardes. A nova lei, em resumo, determinava ao governo, à sociedade e à família que cuidassem bem dos menores de 18 anos. A partir de 1927, as crianças de até 11 anos não puderam mais trabalhar. A atividade dos adolescentes entre 12 e 17 anos ficou autorizada, porém com uma série de restrições. Eles, por exemplo, não poderiam trabalhar durante a noite nem ser admitidos em locais perigosos, como minas e pedreiras.

O sucessor da lei de 1927 foi o Código de Menores, de 1979, criado pela ditadura militar. Depois, em 1990, veio o Estatuto da Criança e do Adolescente. A partir deste ponto, o termo “menor” foi abolido. Antes, o foco das leis estava nas punições. Agora, nos direitos. Nos velhos códigos, o infrator capturado era punido automaticamente. Hoje, ele tem direito a ampla defesa e, para isso, conta com o trabalho dos defensores públicos.

Todas as informações me parecem bastante críveis. A fonte é a “Agência Senado.” Estamos, portanto, no limiar do centenário desta lei. Em 2027, se ainda por aqui estivermos, podemos fazer um balanço mais detalhado da sua eficácia. O que está difícil de saber é se, neste futuro, ou mais além, a geração que tocará o Brasil terá capacidade de fazê-lo. Haverá emprego para as crianças ou adolescentes de hoje mais adiante? Fiz várias consultas e pesquisas para tentar elucidar as dúvidas. Escrever sobre estas coisas evidencia o que já relatei em outra ocasião. Este cronista gostaria de deixar algo melhor para os que estão vindo. Quem não quer?!

No quadro de tantas incertezas, eu temo pelo futuro. As mudanças são muitos rápidas e, no Brasil, educar parece algo que alguém ou que muitos governantes, lutem contra. Vejo isso na classe política dominante. Não dá para sujeitar alguém esclarecido a fazer algo que lhe seja desfavorável! Ainda que a automação seja relevante no contexto do processo geral, estaremos carentes, como sociedade, de cidadãos que não apenas trabalhem e administrem o porvir. A questão é quebrar o individualismo, o viés malvado destes tempos. Se a família ou se a igreja se afastam cada vez desta metamorfose, temo que não chegaremos a bom termo nisso.

A professora Tania Casarin, do site “Educação Entretanto”, em um artigo consistente, embora pautado em projeções, afirma que “até 2030 estima-se que 40% dos empregos que existem hoje serão realizados por máquinas, ou deixarão de existir. Os conteúdos que vemos como relevantes já estão a um clique de distância. O mundo não é separado por fronteiras geográficas rígidas. Você vive, colabora, interage e compete com todo ele. Um dado do Fórum Econômico Mundial diz que 65% das crianças que estão em escola primária hoje vão trabalhar em empregos que ainda não existem. Esse número pode parecer um pouco assustador se a gente pensar que quase dois terços das crianças vão trabalhar em atividades que hoje não existem.”

Quando ainda era “um menino de calças-curtas”, meu avô, o comerciante Martinho Gomes da Silva, lá na Vila Sumaré me perguntava: “O que você vai ser quando crescer?” A única coisa que um garoto da periferia sonhava era ser jogador de futebol. Ninguém, naquela época, tinha muita noção das coisas. Meu avô já se foi no começo da década de 80. Para a geração da qual fiz parte, não havia - para todos! - recursos familiares que cobrissem os estudos acima do ensino básico. Nem havia o governo para auxiliar no financiamento! No entanto, nos tornamos cidadãos que não demos trabalho a sociedade. Se fosse para aconselhar alguém hoje, diria para que estudem, estudem e estudem! Vão mais além nisso. Não existe fronteira mais para quem tem um projeto pessoal de crescimento. O mundo é a oportunidade para as crianças do Brasil de hoje. Como diz o boneco-astronauta Buzz Lightyear, em Toy Story: “Ao infinito... E além!” 

(*) Paulo Francis. Jr é da AVL e escreve aos sábados no jornal Integração Regional.   

Integração Regional

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Jornal integrante de veículo de comunicação com sede em Presidente Venceslau (SP).

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